Quem mandou na 2ª rodada da Copa, posição por posição
A segunda rodada da Copa teve um goleiro de Curaçao como a maior nota da rodada inteira, a África do Sul emplacando dois nomes numa seleção sem nem ter vencido, e cinco centroavantes com o mesmo número de gols terminando em cinco lugares diferentes. Nenhuma dessas três fotos apareceria no alto de um ranking de uma estatística só — e é por isso que avaliamos cada posição pela sua própria régua, e não todo mundo na mesma fila.
Pega o caso dos atacantes, que resume bem a ideia. Cinco centroavantes fizeram dois gols na rodada: Oyarzabal, Ueda, Mbappé, Haaland e Cristiano Ronaldo. Mesma linha no resumo, dois para a rede cada um. Outros, fora da posição, também marcaram dois — Messi e Gakpo entre eles. Num ranking de gols, os cinco camisas 9 empatariam no topo, lado a lado. No nosso, ficaram espalhados do primeiro ao quinto lugar da posição. O que os separou não foi o número que todo mundo olha; foi o resto do jogo de centroavante — e é exatamente sobre esse "resto" que este exercício existe.
A maioria dos rankings de rodada elege um craque por um número só. Quem fez mais gols. Quem tirou a maior nota numa escala fechada. É rápido, rende manchete — e quase sempre injusto. Avaliar um centroavante pelos gols faz algum sentido; avaliar um zagueiro ou um primeiro volante pela mesma régua não faz nenhum. O que se pede a um goleiro não é o que se pede a um ponta, e juntar todo mundo na mesma fila é como comparar um maratonista com um velocista pelo tempo dos 100 metros.
Então fizemos diferente. Para cada posição, montamos uma régua própria: um conjunto de fundamentos que aquela função realmente precisa entregar, cada um com seu peso. A nota de um zagueiro pesa duelo aéreo, corte e saída de bola; a de um ponta pesa finalização, drible e criação. São oito réguas para as onze vagas do time — os dois zagueiros dividem a mesma régua, assim como os laterais entre si e os pontas entre si. No fim, a seleção da 2ª rodada da Copa — um 4-3-3 com titulares e reservas — sai do cruzamento de tudo isso, e não do brilho de um lance que ficou no replay.
Este post mostra a seleção, o pódio de cada posição, um recorte só com os brasileiros e, no fim, a explicação completa de como cada nota foi calculada. É a mesma régua da primeira rodada, aplicada aos jogos da segunda — dá para comparar quem sustentou o nível e quem foi efeito de um jogo. Os dados vêm dos relatórios de pós-jogo da FIFA e do FotMob.
Como a nota foi calculada (o essencial)
Três decisões sustentam tudo o que vem abaixo. Vale ler antes das tabelas.
1. A régua muda por posição. Cada posição é avaliada por um conjunto de métricas com pesos próprios — definidos pelo que aquela função precisa fazer. A lista completa, métrica por métrica e peso por peso, está na última seção do post.
2. A nota é relativa à posição, não um valor absoluto. Para cada métrica, olhamos como o jogador se saiu em relação aos outros da mesma posição naquela rodada e ponderamos pelos pesos. Na maioria das métricas, o que conta é onde ele ficou na fila; em gols e assistências, conta o tamanho do número — a diferença está explicada no apêndice. A nota vai de 0 a 100. Nota 82 do centroavante não quer dizer "82 de aproveitamento": quer dizer que, no balanço das coisas que se cobram de um centroavante, ele ficou perto do topo entre os 36 centroavantes que entraram em campo. É sempre uma comparação dentro da posição.
3. Usamos os números brutos, não projetados para 90 minutos. Aqui entra uma escolha que precisa ser dita na cara. Só avaliamos quem jogou pelo menos 45 minutos. E contamos o que cada um fez de fato na partida — não o que faria "se jogasse 90". A alternativa seria normalizar: se um volante desarmou 5 vezes no primeiro tempo, projetar 10 num jogo inteiro. O problema é que isso inventa um número que não aconteceu — e nada garante que ele manteria o ritmo no segundo tempo. Então preferimos pecar pela comparação um pouco injusta: quem jogou 90 teve mais chance de acumular coisas do que quem jogou 45. Em troca, todo número aqui é real, aconteceu em campo. Guarde isso: ele explica por que alguns nomes que entraram só no fim, ou saíram no intervalo, aparecem mais embaixo — e também o feito de quem liderou a posição jogando menos.
Uma nota sobre o xG, que aparece adiante. Quando dizemos o xG de uma finalização, estamos falando da qualidade daquela chance — a probabilidade de ela virar gol, estimada por distância, ângulo e tipo de lance. Somar o xG de um jogador mede o volume e potencialmente a qualidade de chance que ele teve, não "os gols que deveriam ter saído". E onde entra xG, usamos a versão sem pênalti, para que uma cobrança da marca não inflasse a nota. Gols marcados contam todos, inclusive de pênalti — é o que de fato foi para a rede.
A seleção da 2ª rodada — Time titular
O time ideal da rodada num 4-3-3. Entre parênteses, a seleção (país) e a nota na posição.
| Posição | Jogador | Seleção | Nota |
|---|---|---|---|
| Goleiro | Eloy Room | Curaçao | 95,1 |
| Lateral-direito | Pedro Porro | Espanha | 82,5 |
| Zagueiro | Abdülkerim Bardakci | Turquia | 78,5 |
| Zagueiro | Ladislav Krejčí | Tchéquia | 78,1 |
| Lateral-esquerdo | Aubrey Modiba | África do Sul | 84,0 |
| Primeiro volante | Rodri | Espanha | 73,3 |
| Segundo volante | Teboho Mokoena | África do Sul | 89,0 |
| Meia-armador | Kevin De Bruyne | Bélgica | 78,8 |
| Ponta-direita | Ousmane Dembélé | França | 75,2 |
| Centroavante | Mikel Oyarzabal | Espanha | 81,8 |
| Ponta-esquerda | Cody Gakpo | Holanda | 72,8 |
Três leituras saltam daqui.
A primeira, de novo: o jogador com a maior nota da rodada inteira é um goleiro, Eloy Room, de Curaçao. Aconteceu igual na primeira rodada, e não é acaso. Goleiro é a posição onde uma atuação isolada mais se descola da média, e a nossa régua de goleiro premia exatamente isso — falaremos de Room já no pódio das posições.
A segunda: a Espanha coloca três entre os 11 titulares (Porro, Rodri e Oyarzabal), e a África do Sul, dois (Modiba e Mokoena). O detalhe sobre a África do Sul é que ela nem venceu — empatou em 1 a 1 com a Tchéquia —, e ainda assim emplacou o melhor lateral-esquerdo e o melhor meio-campista da rodada inteira. É o que a régua por posição enxerga e a tabela de classificação não: atuação individual não é a mesma coisa que resultado do time.
A terceira é Mokoena. Como segundo volante, ele tirou 89,0 — a maior nota de linha da rodada, à frente de armadores e atacantes badalados. Não veio de um número só: ele quebrou 29 linhas de marcação com passes (um passe que ultrapassa uma linha de marcadores, fazendo a bola progredir por dentro da defesa), criou 5 chances, recuperou 8 bolas e venceu 6 duelos no chão. Defendeu e construiu no mesmo jogo — é a definição do box-to-box, e a régua recompensa quem faz o pacote completo.
A seleção da 2ª rodada — Time reserva
Como o ranking ordena todo mundo dentro da posição, dá para montar também o time reserva da rodada: o segundo melhor de cada função (pulando quem já é titular). Um banco que muita seleção titular gostaria de ter.
| Posição | Jogador | Seleção | Nota |
|---|---|---|---|
| Goleiro | Alireza Beiranvand | Irã | 92,9 |
| Lateral-direito | Alistair Johnston | Canadá | 75,7 |
| Zagueiro | Moussa Niakhaté | Senegal | 74,8 |
| Zagueiro | Marquinhos | Brasil | 73,4 |
| Lateral-esquerdo | Merchas Doski | Iraque | 75,2 |
| Primeiro volante | Lewis Ferguson | Escócia | 71,9 |
| Segundo volante | Hakan Çalhanoğlu | Turquia | 79,1 |
| Meia-armador | Mohamed Salah | Egito | 78,2 |
| Ponta-direita | Mostafa Ziko | Egito | 71,6 |
| Centroavante | Ayase Ueda | Japão | 80,8 |
| Ponta-esquerda | Maxi Araújo | Uruguai | 69,8 |
O banco já entrega o primeiro brasileiro da lista: Marquinhos, vice-melhor zagueiro da rodada e, na verdade, quarto entre 111 — perdeu a vaga de titular por margem mínima. Voltaremos a Marquinhos na seção do Brasil. Chamam atenção também dois goleiros monstruosos no topo: Room titular e Beiranvand, do Irã, com 92,9 — segundo de toda a rodada. E Doski, que tinha sido o melhor lateral-esquerdo da primeira rodada, agora aparece como reserva: efeito de a régua ser sempre dentro da rodada, comparando cada um com os concorrentes daquela vez.
O pódio de cada posição
Os três melhores de cada posição na rodada. O número de jogadores avaliados varia muito — são 103 pontas, mas só 36 centroavantes —, o que muda o quanto cada nota "custou" para ser conquistada.
Goleiro (48 avaliados)
- Eloy Room — Curaçao — 95,1
- Alireza Beiranvand — Irã — 92,9
- Hernán Galíndez — Equador — 87,3
Room lidera por um motivo tangível: ele defendeu tudo o que foi ao alvo (15 defesas no jogo, contra o Equador) e segurou o 0 a 0. Nossos cálculos estimam que ele evitou cerca de 2,3 gols além do que um goleiro médio sofreria com as finalizações que enfrentou — é a métrica de "gols evitados", o peso maior da régua de goleiro, que o dispara. Curiosidade: o terceiro colocado, Galíndez, defendeu do outro lado do mesmo jogo. O 0 a 0 entre Equador e Curaçao foi, antes de tudo, um duelo de goleiros.
Zagueiro (111 avaliados)
- Abdülkerim Bardakci — Turquia — 78,5
- Ladislav Krejčí — Tchéquia — 78,1
- Moussa Niakhaté — Senegal — 74,8
Marquinhos ficou em quarto, com 73,4, a um suspiro do pódio — o melhor brasileiro da rodada, sobre quem falamos adiante.
Lateral-direito (44 avaliados)
- Pedro Porro — Espanha — 82,5
- Alistair Johnston — Canadá — 75,7
- Joshua Kimmich — Alemanha — 73,9
Porro tirou a segunda maior nota entre todos os defensores da rodada. Pela régua de lateral — que pesa muito municiar o ataque —, ele entregou o que se pede e um pouco mais: 3 cruzamentos certos, 3 chances criadas e 16 quebras de linha, sem descuidar da parte defensiva. Lateral moderno é isso, e a conta reconheceu.
Lateral-esquerdo (43 avaliados)
- Aubrey Modiba — África do Sul — 84,0
- Merchas Doski — Iraque — 75,2
- Ahmed Abou El Fotouh — Egito — 71,9
Modiba foi o melhor defensor da rodada inteira — a maior nota entre todos os zagueiros e laterais, à frente até de Porro. Mesma história do espanhol, pela esquerda: 2 cruzamentos certos quase perfeitos, 2 chances criadas e 9 ações defensivas — ataque e defesa no mesmo jogo.
Primeiro volante (43 avaliados)
- Rodri — Espanha — 73,3
- Lewis Ferguson — Escócia — 71,9
- Neil El Aynaoui — Marrocos — 71,4
Segundo volante / box-to-box (71 avaliados)
- Teboho Mokoena — África do Sul — 89,0
- Hakan Çalhanoğlu — Turquia — 79,1
- Enzo Fernández — Argentina — 77,7
A distância de Mokoena para o segundo colocado — quase dez pontos — é a maior de qualquer posição na rodada. Não foi um bom jogo; foi um jogo dominante em todos os fundamentos que se cobram da função.
Meia-armador (39 avaliados)
- Kevin De Bruyne — Bélgica — 78,8
- Mohamed Salah — Egito — 78,2
- Bruno Fernandes — Portugal — 76,6
Seis décimos separam De Bruyne de Salah no topo dos armadores — empate técnico. De Bruyne venceu pelo trabalho de criação: 3 chances criadas, 10 toques na área adversária e bom volume de chance de finalização (xG sem pênalti de 0,32 no jogo, ou seja, ele mesmo teve chances claras de marcar, além de armar para os outros). É o perfil clássico do armador que a régua procura.
Ponta (103 avaliados)
- Ousmane Dembélé — França — 75,2
- Cody Gakpo — Holanda — 72,8
- Mostafa Ziko — Egito — 71,6
Aqui está o melhor retrato de por que uma régua de um número só engana — e o eco direto do que vimos com Messi na primeira rodada. Desta vez, Messi fez dois gols e terminou em quinto entre os pontas. Não é punição: o gol contou a favor dele (o item "gols" vale 15% da régua de ponta). Mas a régua cobra o pacote inteiro — criação, drible que dá certo, presença na área —, e nisso Dembélé entregou mais, mesmo com um gol só: somou 1 assistência, 3 chances criadas e um dos maiores volumes de chance clara de finalização entre os pontas, tudo isso em 68 minutos. O gol é parte da história de um ponta, não a história inteira.
Centroavante (36 avaliados)
- Mikel Oyarzabal — Espanha — 81,8
- Ayase Ueda — Japão — 80,8
- Kylian Mbappé — França — 75,4
E chegamos ao retrato que abre este post. Cinco centroavantes fizeram dois gols na rodada: Oyarzabal, Ueda, Mbappé, Haaland (quarto, 74,7) e Cristiano Ronaldo (quinto, 73,7). O mesmo placar pessoal, cinco notas diferentes. O que separou os dois primeiros do resto? Eles não só fizeram gol — também deram assistência e participaram da construção. Oyarzabal somou 2 gols, 1 assistência e ainda criou chance; Ueda, a mesma linha. Mbappé, Haaland e Ronaldo fizeram seus dois gols, mas não anotaram assistência na partida. A régua de centroavante valoriza o gol acima de tudo — por isso os cinco estão no topo —, mas, no desempate, premia quem também ligou o jogo.
E tem o detalhe que fecha a escolha pelos números brutos: Oyarzabal liderou jogando só 45 minutos. Numa conta que favorece quem ficou mais tempo em campo, ele fez tanto em meio jogo — dois gols e uma assistência contra a Arábia Saudita — que bateu quem jogou os 90. Quando o desempenho é denso assim, nem o tempo menor segura.
O Brasil na 2ª rodada
Recortamos do ranking só os brasileiros que jogaram pelo menos 45 minutos na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, com a posição de cada um e onde ficaram dentro da própria função.
| Jogador | Posição | Nota | Posição no ranking |
|---|---|---|---|
| Marquinhos | Zagueiro | 73,4 | 4º de 111 |
| Alisson Becker | Goleiro | 77,5 | 8º de 48 |
| Vinícius Júnior | Ponta | 64,3 | 6º de 103 |
| Matheus Cunha | Centroavante | 62,3 | 7º de 36 |
| Gabriel | Zagueiro | 61,0 | 26º de 111 |
| Casemiro | Primeiro volante | 57,5 | 16º de 43 |
| Lucas Paquetá | Meia-armador | 57,2 | 13º de 39 |
| Bruno Guimarães | Segundo volante | 52,0 | 31º de 71 |
| Douglas Santos | Lateral-esquerdo | 44,7 | 26º de 43 |
| Danilo | Lateral-direito | 41,6 | 29º de 44 |
A diferença para a estreia é grande. Na primeira rodada, o Brasil ficou quase todo no meio das tabelas e teve um único destaque, Douglas Santos. Desta vez, quatro brasileiros aparecem no top 8 das suas posições: Marquinhos (4º de 111 zagueiros), Alisson (8º de 48 goleiros), Vinícius Júnior (6º de 103 pontas) e Matheus Cunha (7º de 36 centroavantes).
O melhor de todos foi Marquinhos, que entrou nos 11 reservas da rodada. Como zagueiro, ele fez o que a régua da posição mais valoriza: venceu 3 duelos aéreos, quebrou 21 linhas de marcação saindo com a bola e somou 8 ações defensivas, com 94% de acerto de passe. Defender e construir — o pacote de zagueiro moderno.
Chama atenção também o salto de Vinícius Júnior: foi 17º entre os pontas na estreia e agora é 6º, numa fila de 103. E há a outra ponta da gangorra: Douglas Santos, o destaque da primeira rodada, caiu para 26º entre os laterais-esquerdos. São os dois lados da mesma régua dentro da rodada — quem rende muito num jogo sobe, quem rende menos no seguinte desce, e isso é justamente o que o exercício serve para mostrar de uma rodada à outra.
Dois cuidados antes de qualquer veredito. Primeiro, a régua é dentro da posição e dentro da rodada: subir contra o Haiti, adversário mais frágil, é diferente de subir contra uma seleção forte — número alto num jogo desses pede um pouco de cautela na leitura. Segundo, vale o de sempre: uma rodada é uma amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O bom sinal é coletivo — mais brasileiros perto do topo do que na estreia —, e é isso que se acompanha rodada a rodada.
O que dá para tirar daqui
Uma rodada é uma rodada — amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O valor deste exercício não é cravar quem é o melhor do mundo, e sim mostrar que a régua importa. Quando se avalia cada posição pelo conjunto do que ela precisa entregar, a fotografia muda: um goleiro de Curaçao lidera a rodada, a África do Sul coloca dois numa seleção mesmo sem vencer, e cinco centroavantes com o mesmo número de gols terminam em cinco lugares diferentes.
Esse último ponto é o coração da coisa. Dois gols dizem muito sobre um centroavante, mas não dizem tudo — e foi o "tudo" que separou Oyarzabal de Mbappé na rodada. Nenhum desses recortes apareceria no alto de um ranking de uma estatística só. O futebol é multifatorial, e medir bem exige uma régua à altura. Na próxima rodada, repetimos o exercício — e dá para ver quem sustenta o nível e quem foi efeito de um jogo.
Apêndice — as fórmulas, posição por posição
Para quem quer auditar a conta. Cada posição tem um conjunto de métricas, cada uma com um peso (em %). Cada métrica vira uma escala de 0 a 100 comparando o jogador com os outros da mesma posição na rodada, e a nota final é a média dessas escalas ponderada pelos pesos abaixo. Lembrando: trabalhamos com os totais brutos da partida (quem jogou ≥ 45 min), não projetados para 90 minutos.
Como cada métrica vira nota: posição na fila × tamanho do número
Há duas formas de transformar uma métrica em escala de 0 a 100, e usamos a que faz mais sentido para cada uma.
- Por percentil (a posição na fila). Vale para quase tudo — passes certos, duelos, recuperações, chances criadas. Aqui importa a ordem: a escala mede quantos jogadores da posição o atleta superou naquela métrica, não o tamanho da diferença. É o ideal para fundamentos em que "fazer mais" tem retorno decrescente.
- Pela magnitude (o tamanho do número). Vale para gols e assistências, onde o tamanho importa de verdade: fazer 2 gols deve valer cerca de duas vezes fazer 1, não só "ficar à frente". Por isso usamos uma escala proporcional ao valor. É o que explica, no ranking dos centroavantes, os cinco goleadores de dois gols cravarem 100 na métrica de gols — exatamente por terem o mesmo número.
O que cada métrica mede
- Gols evitados — quantos gols o goleiro impediu além do que se esperaria das finalizações que enfrentou. Mede defesa difícil, não volume.
- % de defesas — defesas divididas pelos chutes que foram ao alvo.
- Defesas — total de defesas na partida.
- Duelos aéreos ganhos — disputas de bola pelo alto vencidas.
- Ações defensivas — soma de desarmes, interceptações e cortes.
- Vezes driblado — quantas vezes o jogador foi passado num drible (quanto menos, melhor — entra invertido).
- Quebras de linha — passes que ultrapassam uma linha de marcadores, fazendo a bola progredir por dentro da defesa adversária.
- % de acerto de passe — passes certos sobre passes tentados.
- Bolas longas certas — lançamentos longos que chegaram ao destino.
- Duelos no chão ganhos — disputas rente ao gramado vencidas.
- Cruzamentos certos — cruzamentos que encontraram um companheiro.
- Chances criadas — passes que terminaram em finalização de um companheiro.
- Recuperações — bolas recuperadas para a equipe.
- Passes ao último terço — passes que entregam a bola no terço de ataque do campo.
- Toques na área adversária — vezes que tocou na bola dentro da área de ataque.
- Gols — gols marcados (todos, inclusive pênalti).
- Gol esperado sem pênalti (xG) — o volume e a qualidade das chances que o jogador teve de finalizar, somados, excluindo pênaltis. Mede o tamanho da chance, não "os gols que faltaram".
- Finalizações / no alvo — chutes dados / que foram na direção do gol.
- Assistências — passes que viraram gol.
- Assistência esperada (xA) — o tanto de chance que os passes do jogador criaram para os companheiros finalizarem, pela qualidade dessas chances.
- Perdas de posse conduzindo — vezes que perdeu a bola no drible ou na condução (invertido — quanto menos, melhor).
- Taxa de drible mal-sucedido — proporção de dribles que não deram certo (invertido).
Pesos por posição
Goleiro — foco em evitar gol.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols evitados | 60% |
| % de defesas | 25% |
| Defesas | 15% |
Zagueiro — defender bem e sair jogando.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Duelos aéreos ganhos | 24% |
| Ações defensivas | 22% |
| Quebras de linha | 18% |
| Vezes driblado (invertido) | 14% |
| % de acerto de passe | 14% |
| Bolas longas certas | 8% |
Lateral (direito e esquerdo — mesma régua) — defender, progredir e municiar o ataque.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Cruzamentos certos | 22% |
| Chances criadas | 20% |
| Quebras de linha | 15% |
| Ações defensivas | 13% |
| % de acerto de passe | 11% |
| Vezes driblado (invertido) | 10% |
| Duelos no chão ganhos | 9% |
Primeiro volante — proteger, recuperar e circular com segurança.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| % de acerto de passe | 20% |
| Ações defensivas | 18% |
| Recuperações | 16% |
| Quebras de linha | 15% |
| Duelos no chão ganhos | 11% |
| Vezes driblado (invertido) | 10% |
| Bolas longas certas | 10% |
Segundo volante (box-to-box) — equilíbrio entre defender, progredir e criar.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Chances criadas | 18% |
| Quebras de linha | 16% |
| Passes ao último terço | 12% |
| % de acerto de passe | 12% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Recuperações | 11% |
| Ações defensivas | 10% |
| Duelos no chão ganhos | 9% |
Meia-armador — criar, ameaçar o gol e progredir, descontando o desperdício.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Chances criadas | 22% |
| Assistência esperada (xA) | 16% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 16% |
| Passes ao último terço | 12% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Quebras de linha | 10% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 6% |
| Taxa de drible mal-sucedido (invertido) | 6% |
Ponta — ameaçar o gol, criar e driblar.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols | 15% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 13% |
| Chances criadas | 13% |
| Assistências | 11% |
| Quebras de linha | 8% |
| Assistência esperada (xA) | 7% |
| Toques na área adversária | 7% |
| Taxa de drible mal-sucedido (invertido) | 7% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 6% |
| Finalizações | 5% |
| Cruzamentos certos | 4% |
| Passes ao último terço | 4% |
Centroavante — gol acima de tudo, com pivô e ligação, descontando o desperdício.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols | 20% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 16% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Duelos aéreos ganhos | 9% |
| Chances criadas | 9% |
| Assistências | 8% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 8% |
| Finalizações no alvo | 8% |
| Assistência esperada (xA) | 5% |
| Duelos no chão ganhos | 5% |
Uma palavra sobre as fontes
Vale uma honestidade final: os números dependem de quem os coleta. Cada provedor de dados tem seus próprios critérios para decidir o que é um drible, um desarme ou uma ação defensiva — e por isso as ferramentas divergem entre si, e às vezes também do que o torcedor jurou ter visto. O que fazemos é fixar uma régua de dados (aqui, FIFA mais FotMob) e aplicar a mesma a todos os jogadores, para que a comparação seja justa dentro do ranking. Trocar a fonte mudaria alguns números; é mais um motivo para ler a nota como um retrato fundamentado, não como sentença.
Fonte dos dados: relatórios de pós-jogo da FIFA (Post Match Summary Report) e FotMob. Avaliação própria do blog — comparação por posição, números brutos da partida, corte mínimo de 45 minutos.