Quem mandou nos 16 avos da Copa, posição por posição

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Quem mandou nos 16 avos da Copa, posição por posição

Começou o mata-mata, e com ele volta o retrato de sempre: a seleção da rodada montada num 4-3-3, com titulares e reservas, e o pódio de cada posição. Como na fase de grupos, a ideia por trás de tudo é simples — cada posição é avaliada pela sua própria régua. O que se cobra de um goleiro não é o que se cobra de um ponta, então cada função tem um conjunto de fundamentos com pesos próprios, e a nota sai do balanço desses fundamentos. As fórmulas completas, métrica por métrica, ficam no fim do post, para quem quiser auditar a conta.

Os 16 avos deram três fotos que valem a abertura. A primeira: de novo — como nas três rodadas de grupos — a maior nota da rodada saiu de um goleiro. Desta vez Lawrence Ati-Zigi, de Gana, e com um detalhe que muda a história: ele tirou a maior nota num jogo que perdeu. A segunda: Michael Olise entregou a maior nota de linha da rodada, um recital de armador completo na goleada da França sobre a Suécia. A terceira é brasileira — e fica para a seção do Brasil.

Vale um aviso de leitura próprio do mata-mata. Cinco jogos foram à prorrogação (Alemanha e Paraguai, Holanda e Marrocos, Bélgica e Senegal, Argentina e Cabo Verde, Austrália e Egito), e nossa conta usa os números brutos de quem esteve em campo — ou seja, quem jogou 120 minutos teve mais tempo para acumular volume. Isso ajuda a explicar por que alguns nomes desses jogos aparecem bem colocados. É um viés conhecido da ótica que escolhemos, e o apontamos onde ele pesa.

Como a nota foi calculada (o essencial)

Três decisões sustentam as tabelas. Em três parágrafos.

1. A régua muda por posição. Cada posição é avaliada por um conjunto de métricas com pesos próprios, definidos pelo que aquela função precisa fazer. A de um zagueiro pesa duelo aéreo, corte e saída de bola; a de um ponta pesa finalização, drible e criação. São oito réguas para as onze vagas — os dois zagueiros dividem a mesma, assim como os laterais entre si e os pontas entre si. A lista completa, peso por peso, está na última seção.

2. A nota é relativa à posição, não um valor absoluto. Para cada métrica, olhamos como o jogador se saiu em relação aos outros da mesma posição naquela rodada. Na maioria delas, o que conta é onde ele ficou na fila; em gols e assistências, conta o tamanho do número — são as ações mais diretamente ligadas ao placar, então ali a magnitude importa, e não só a ordem. A nota vai de 0 a 100 e é sempre uma comparação dentro da posição.

3. Usamos os números brutos, de quem jogou ao menos 45 minutos. Contamos o que cada um fez de fato na partida, não o que faria "se jogasse 90". A conta favorece um pouco quem ficou mais tempo em campo — e, nestes 16 avos, isso vale dobrado para os cinco jogos que foram aos 120 minutos. Em troca, todo número aqui é real, aconteceu. Guarde isso: ele explica por que alguns nomes que entraram só no fim aparecem mais embaixo, e o feito de quem liderou a posição jogando menos.

Uma nota sobre o xG, que aparece adiante. O xG de uma finalização é a qualidade daquela chance — a probabilidade de virar gol, estimada por distância, ângulo e tipo de lance. Já somar o xG de um jogador mede o volume de chance que ele acumulou — quanta chance teve no total —, e não "os gols que deveriam ter saído" nem a qualidade média dos lances. Onde entra xG, usamos a versão sem pênalti; gols marcados contam todos, inclusive de pênalti.

A seleção dos 16 avos — Time titular

O time ideal da rodada num 4-3-3. Entre parênteses, a seleção (país) e a nota na posição.

Posição Jogador Seleção Nota
Goleiro Lawrence Ati-Zigi Gana 93,2
Lateral-direito Pedro Porro Espanha 77,1
Zagueiro Kristoffer Ajer Noruega 78,2
Zagueiro Aymeric Laporte Espanha 75,8
Lateral-esquerdo Nuno Mendes Portugal 77,9
Primeiro volante Rodri Espanha 79,0
Segundo volante Neil El Aynaoui Marrocos 80,4
Meia-armador Michael Olise França 87,5
Ponta-direita Lionel Messi Argentina 76,5
Centroavante Kylian Mbappé França 79,7
Ponta-esquerda Julián Quiñones México 66,0

Três leituras saltam daqui.

A primeira, de novo: o jogador com a maior nota da rodada inteira é um goleiro, Ati-Zigi. Só que agora com uma reviravolta — ele foi o melhor da rodada na derrota de Gana por 1 a 0 para a Colômbia. Fez 7 defesas e, pela nossa conta de "gols evitados", impediu cerca de 1,7 gol além do que um goleiro médio sofreria com as finalizações que enfrentou. É a métrica de maior peso da régua de goleiro (60%), e foi ela que o levou ao topo: segurou Gana viva quase até o fim, mesmo com o time saindo eliminado. Um lembrete de que a régua mede a atuação, não o resultado do time.

A segunda é Olise. Como meia-armador, ele tirou 87,5 — a maior nota de linha da rodada, à frente de volantes e atacantes. Não veio de um número só: ele deu 2 assistências, acumulou 0,77 de xA (o volume de chance que os passes dele geraram para os companheiros finalizarem), quebrou 21 linhas de marcação com passes e ainda ameaçou o gol. Aqui vale abrir o número, para não ler o acumulado errado: Olise somou 0,86 de xG sem pênalti, mas esse total veio quase todo de uma chance clara — um chute de 0,55 defendido no contra-ataque —, com as outras cinco finalizações de baixa probabilidade. Ou seja, teve a sua chance de marcar, além de armar para os companheiros. É o perfil de armador que a régua procura, e ele entregou o pacote completo na goleada da França por 3 a 0 sobre a Suécia.

A terceira é El Aynaoui, do Marrocos, o melhor segundo volante da rodada com 80,4. Box-to-box é defender e construir no mesmo jogo, e foi o que ele fez na classificação marroquina sobre a Holanda, decidida na prorrogação: 135 passes certos (97% de acerto), 18 deles ao último terço, 14 quebras de linha, além de 8 ações defensivas e 6 recuperações. Vale a ressalva da abertura — ele jogou os 120 minutos, e a ótica bruta premia esse tempo a mais em campo. Ainda assim, o equilíbrio entre volume e precisão foi real, e sustenta a nota.

A seleção dos 16 avos — Time reserva

Como o ranking ordena todo mundo dentro da posição, dá para montar também o time reserva da rodada: o segundo melhor de cada função, pulando quem já é titular.

Posição Jogador Seleção Nota
Goleiro Orlando Gill Paraguai 87,7
Lateral-direito Achraf Hakimi Marrocos 76,5
Zagueiro Harry Souttar Austrália 73,5
Zagueiro Lisandro Martínez Argentina 70,1
Lateral-esquerdo Sidny Lopes Cabral Cabo Verde 72,5
Primeiro volante Aurélien Tchouaméni França 74,5
Segundo volante Adrien Rabiot França 76,3
Meia-armador Mohamed Salah Egito 77,6
Ponta-direita Leandro Trossard Bélgica 68,5
Centroavante Mikel Oyarzabal Espanha 75,5
Ponta-esquerda Florian Wirtz Alemanha 64,1

O banco guarda a outra metade do pódio de goleiros: Orlando Gill, com 87,7 — herói do Paraguai, que tirou a Alemanha nos 120 minutos. E traz um retrato do mata-mata: nomes de seleções que se classificaram no sufoco. Hakimi e El Aynaoui (este no titular) puxam o Marrocos; Salah, melhor armador reserva, foi peça da virada do Egito sobre a Austrália na prorrogação. A França coloca dois no banco — Tchouaméni e Rabiot —, sinal de uma vitória sólida sobre a Suécia de ponta a ponta.

O pódio de cada posição

Os três melhores de cada posição na rodada. O número de avaliados varia muito — são 72 pontas, mas só 25 meias-armadores —, o que muda o quanto cada nota "custou" para ser conquistada.

Goleiro (32 avaliados)

  1. Lawrence Ati-Zigi — Gana — 93,2
  2. Orlando Gill — Paraguai — 87,7
  3. Bart Verbruggen — Holanda — 86,6

O pódio inteiro conta a mesma história do mata-mata: três goleiros que seguraram os seus times sob pressão. Ati-Zigi lidera pelas 7 defesas na derrota de Gana; Gill e Verbruggen foram parede por 120 minutos — o primeiro classificou o Paraguai, o segundo caiu com a Holanda, ainda assim entre os melhores da posição.

Zagueiro (68 avaliados)

  1. Kristoffer Ajer — Noruega — 78,2
  2. Aymeric Laporte — Espanha — 75,8
  3. Harry Souttar — Austrália — 73,5

Ajer lidera pelo volume defensivo bruto: 16 ações defensivas e 13 cortes na vitória da Noruega sobre a Costa do Marfim. Laporte vem logo atrás juntando defesa e saída de bola — 27 quebras de linha com passe, o pacote que a régua de zagueiro mais valoriza.

Lateral-direito (29 avaliados)

  1. Pedro Porro — Espanha — 77,1
  2. Achraf Hakimi — Marrocos — 76,5
  3. Timothy Castagne — Bélgica — 66,9

Seis décimos separam Porro de Hakimi — quase um empate pela direita. Porro leva a melhor pela produção ofensiva na goleada espanhola: 5 chances criadas, 3 cruzamentos certos e um gol, com 11 quebras de linha. Hakimi respondeu com 120 minutos de motor pela direita marroquina.

Lateral-esquerdo (31 avaliados)

  1. Nuno Mendes — Portugal — 77,9
  2. Sidny Lopes Cabral — Cabo Verde — 72,5
  3. Marc Cucurella — Espanha — 68,9

Nuno Mendes foi o lateral mais completo da rodada: 4 chances criadas, 0,50 de xA e 7 duelos no chão vencidos na vitória de Portugal sobre a Croácia. Cucurella, o terceiro, saiu com 2 assistências — mostra de como a régua pesa mais que um número isolado.

Primeiro volante (29 avaliados)

  1. Rodri — Espanha — 79,0
  2. Aurélien Tchouaméni — França — 74,5
  3. Kevin Pina — Cabo Verde — 74,0

Rodri foi o retrato do primeiro volante que a régua procura: 9 ações defensivas, 6 recuperações e 6 duelos no chão vencidos, com 92% de acerto de passe e 15 quebras de linha. Protegeu, recuperou e circulou com segurança — a base do meio espanhol no 3 a 0 sobre a Áustria.

Segundo volante / box-to-box (55 avaliados)

  1. Neil El Aynaoui — Marrocos — 80,4
  2. Adrien Rabiot — França — 76,3
  3. Alexis Mac Allister — Argentina — 74,6

A maior nota do meio está aqui, com El Aynaoui — já contada no time titular. O pódio mistura volume dos 120 minutos (El Aynaoui e Mac Allister) com eficiência em 90 (Rabiot, com 17 quebras de linha e 3 chances criadas contra a Suécia).

Meia-armador (25 avaliados)

  1. Michael Olise — França — 87,5
  2. Mohamed Salah — Egito — 77,6
  3. Jude Bellingham — Inglaterra — 77,0

Olise abre quase dez pontos para o segundo colocado — a folga mais larga de qualquer posição na rodada. Foi o recital já descrito: criar para os outros e ainda ameaçar o gol. Logo atrás, Salah criou para os companheiros (5 chances criadas, 8 toques na área) e Bellingham puxou o próprio chute (0,66 de xG sem pênalti acumulado em 3 finalizações) — dois perfis diferentes de meia decisivo em jogos apertados.

Ponta (72 avaliados)

  1. Lionel Messi — Argentina — 76,5
  2. Leandro Trossard — Bélgica — 68,5
  3. Ousmane Dembélé — França — 66,7

Messi lidera a posição mais concorrida da rodada. Contra Cabo Verde, em 120 minutos, foram 9 finalizações (6 no alvo) somando 1,33 de xG sem pênalti — um dos maiores volumes de chance entre os pontas. Abrindo o número: duas das nove foram chances claras — o gol (0,25) e um chute de 0,49 defendido —, e as outras sete de menor probabilidade. Some 9 toques na área. Faltou a assistência (item que pesa 11% e ficou zerado) e sobrou perda de bola na condução para a nota disparar ainda mais; mesmo assim, poucos levaram tanto perigo ao gol entre os pontas.

Centroavante (26 avaliados)

  1. Kylian Mbappé — França — 79,7
  2. Mikel Oyarzabal — Espanha — 75,5
  3. Ismaïla Sarr — Senegal — 73,6

Mbappé foi o melhor centroavante fazendo o que se cobra da posição: 2 gols em 4 finalizações no alvo, com presença de área e ligação. Oyarzabal também marcou duas vezes, com um detalhe que a régua enxerga: das suas 6 finalizações (que somaram 1,09 de xG sem pênalti), converteu as duas melhores — uma chance clara, de 0,59, e outra quase, de 0,18 —, mas criou pouco para os companheiros, e é aí que ficou a diferença para Mbappé.

O Brasil nos 16 avos

Recortamos do ranking os brasileiros que jogaram pelo menos 45 minutos na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, com a posição de cada um e onde ficaram dentro da própria função.

Jogador Posição Nota Posição no ranking
Bruno Guimarães Segundo volante 67,0 12º de 55
Lucas Paquetá Meia-armador 65,8 6º de 25
Casemiro Primeiro volante 65,1 6º de 29
Danilo Lateral-direito 62,9 5º de 29
Gabriel Zagueiro 61,3 14º de 68
Douglas Santos Lateral-esquerdo 59,3 10º de 31
Vinícius Júnior Centroavante 52,8 9º de 26
Marquinhos Zagueiro 51,8 36º de 68
Rayan Ponta 47,7 19º de 72
Matheus Cunha Centroavante 39,1 15º de 26
Alisson Becker Goleiro 29,7 26º de 32

A terceira foto da abertura está aqui, e é honesta: o Brasil passou, mas nenhum brasileiro dominou a própria posição. O melhor foi Bruno Guimarães (12º entre 55 segundos volantes), seguido de um pelotão de quintos e sextos lugares — Paquetá (6º entre os armadores, em só 45 minutos), Casemiro (6º entre os primeiros volantes, com um gol) e Danilo (5º entre os laterais-direitos). Nada de topo de posição; um jogo sólido e coletivo, sem indivíduo brilhando pela régua.

Vale abrir a conta de dois nomes que dividiram a torcida e a crítica — Casemiro e Paquetá —, justamente para mostrar de onde vem a nota, e onde a régua e o olho podem contar histórias diferentes.

Casemiro (6º entre 29 primeiros volantes, 65,1) pontuou no que a régua da posição mais cobra: proteger, recuperar e circular com segurança. Foram 8 ações defensivas (entre os 20% melhores volantes da rodada), 5 recuperações, 9 quebras de linha com passe e uma distribuição longa quase impecável — 7 lançamentos certos em 10, perto do topo da posição —, tudo com 89% de acerto de passe. O que segurou a nota abaixo do pódio foram dois itens: os duelos no chão (venceu 2 de 4, na média da posição) e ter sido driblado uma vez (fundamento que entra invertido, quanto menos melhor). E um detalhe fecha o raciocínio: Casemiro marcou um dos gols da vitória, mas a régua de volante não pontua gol — ela mede o que a função pede, não o lance de destaque —, então o gol não entrou nesta conta. Sexto lugar não é blindagem contra a crítica; é o retrato de quem cumpriu os fundamentos da posição num jogo controlado, com os cinco volantes à frente — puxados por Rodri e Tchouaméni — num patamar um pouco acima.

Paquetá (6º entre 25 meias-armadores, 65,8) fez a nota em apenas 45 minutos — saiu no intervalo. Aqui vale um cuidado a mais: na ótica bruta, menos tempo em campo costuma significar menos volume acumulado, o que torna o 6º lugar ainda mais chamativo. O que sustentou foi a progressão. Em um único tempo, ele deu 12 passes ao último terço (perto do topo dos armadores da rodada) e 11 quebras de linha, criou 2 chances e teve 5 toques na área adversária — o pacote de fundamentos que a régua de armador mais valoriza. O ponto fraco foi o xA (o volume de chance que os passes dele geraram para os companheiros finalizarem): 0,05, abaixo da média da posição — sinal de que as chances que criou eram de menor perigo. Meio tempo denso o bastante para ranquear bem, com a ressalva de sempre: 45 minutos são uma amostra curta, e Olise, no topo da posição, jogou noutro nível.

E há a outra ponta, que o exercício serve para mostrar sem dó. Vinícius Júnior, o melhor centroavante da 3ª rodada, apareceu aqui em 9º entre 26 — teve 0,36 de xG sem pênalti e não balançou a rede contra o Japão. Alisson, com pouco trabalho num jogo em que o Brasil controlou, ficou em 26º entre 32 goleiros: a régua de goleiro premia defesa difícil, e quem quase não é exigido tende a ficar embaixo, mesmo sem falhar. Não viraram outros jogadores de uma semana para a outra; tiveram um jogo mais discreto na régua da posição, e a régua, sendo sempre dentro da rodada, registra isso.

Dois cuidados antes de qualquer veredito. Primeiro, a régua é dentro da posição e dentro da rodada, e não pondera o contexto do jogo: administrar uma vantagem controlando a partida rende menos "número" do que decidir um mata-mata no sufoco — e isso não é demérito. Segundo, o de sempre: uma partida é uma amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O Brasil fez o que precisava — venceu e avançou. A régua só lembra que, neste jogo, o brilho individual ficou para depois.

O que dá para tirar daqui

Uma rodada é uma rodada — amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O valor do exercício não é cravar quem é o melhor do mundo, e sim mostrar que a régua importa. Quando se avalia cada posição pelo conjunto do que ela precisa entregar, a fotografia muda: um goleiro lidera a rodada pela quarta vez seguida — e desta vez na derrota —, um segundo volante do Marrocos desbanca meios mais badalados, e um lateral da Espanha supera Hakimi por seis décimos.

Fica também o retrato do primeiro mata-mata: os cinco jogos de prorrogação empurraram para cima quem aguentou 120 minutos, e as seleções que foram ao tempo extra — Marrocos, Paraguai, Egito, Argentina, Bélgica — colocaram gente na lista justamente por isso. As oitavas recomeçam a contagem, com um detalhe importante: dali para a frente, cada tropeço elimina. E a régua segue a mesma.


Apêndice — as fórmulas, posição por posição

Para quem quer auditar a conta. Cada posição tem um conjunto de métricas, cada uma com um peso (em %). Cada métrica vira uma escala de 0 a 100 comparando o jogador com os outros da mesma posição na rodada, e a nota final é a média dessas escalas ponderada pelos pesos abaixo. Lembrando: trabalhamos com os totais brutos da partida (quem jogou ≥ 45 min), não projetados para 90 minutos.

Como cada métrica vira nota: posição na fila × tamanho do número

Há duas formas de transformar uma métrica em escala de 0 a 100, e usamos a que faz mais sentido para cada uma.

  • Por percentil (a posição na fila). Vale para quase tudo — passes certos, duelos, recuperações, chances criadas. Aqui importa a ordem: a escala mede quantos jogadores da posição o atleta superou naquela métrica, não o tamanho da diferença. É o ideal para fundamentos em que "fazer mais" tem retorno decrescente.
  • Pela magnitude (o tamanho do número). Vale para gols e assistências, onde o tamanho importa de verdade: fazer 2 gols deve valer cerca de duas vezes fazer 1, não só "ficar à frente". São os movimentos mais diretamente ligados ao gol, então usamos uma escala proporcional ao valor.

O que cada métrica mede

  • Gols evitados — quantos gols o goleiro impediu além do que se esperaria das finalizações que enfrentou. Mede defesa difícil, não volume.
  • % de defesas — defesas divididas pelos chutes que foram ao alvo.
  • Defesas — total de defesas na partida.
  • Duelos aéreos ganhos — disputas de bola pelo alto vencidas.
  • Ações defensivas — soma de desarmes, interceptações e cortes.
  • Vezes driblado — quantas vezes o jogador foi passado num drible (quanto menos, melhor — entra invertido).
  • Quebras de linha — passes que ultrapassam uma linha de marcadores, fazendo a bola progredir por dentro da defesa adversária.
  • % de acerto de passe — passes certos sobre passes tentados.
  • Bolas longas certas — lançamentos longos que chegaram ao destino.
  • Duelos no chão ganhos — disputas rente ao gramado vencidas.
  • Cruzamentos certos — cruzamentos que encontraram um companheiro.
  • Chances criadas — passes que terminaram em finalização de um companheiro.
  • Recuperações — bolas recuperadas para a equipe.
  • Passes ao último terço — passes que entregam a bola no terço de ataque do campo.
  • Toques na área adversária — vezes que tocou na bola dentro da área de ataque.
  • Gols — gols marcados (todos, inclusive pênalti).
  • Gol esperado sem pênalti (xG) — somando as finalizações do jogador (sem pênaltis), mede o volume de chance que ele acumulou — quanta chance teve no total —, não a qualidade média dos lances nem "os gols que faltaram".
  • Finalizações / no alvo — chutes dados / que foram na direção do gol.
  • Assistências — passes que viraram gol.
  • Assistência esperada (xA) — somando o xG de cada finalização que o jogador armou, mede o volume de chance que os passes dele criaram para os companheiros finalizarem.
  • Perdas de posse conduzindo — vezes que perdeu a bola no drible ou na condução (invertido — quanto menos, melhor).
  • Taxa de drible mal-sucedido — proporção de dribles que não deram certo (invertido).

Pesos por posição

Goleiro — foco em evitar gol.

Métrica Peso
Gols evitados 60%
% de defesas 25%
Defesas 15%

Zagueiro — defender bem e sair jogando.

Métrica Peso
Duelos aéreos ganhos 24%
Ações defensivas 22%
Quebras de linha 18%
Vezes driblado (invertido) 14%
% de acerto de passe 14%
Bolas longas certas 8%

Lateral (direito e esquerdo — mesma régua) — defender, progredir e municiar o ataque.

Métrica Peso
Cruzamentos certos 22%
Chances criadas 20%
Quebras de linha 15%
Ações defensivas 13%
% de acerto de passe 11%
Vezes driblado (invertido) 10%
Duelos no chão ganhos 9%

Primeiro volante — proteger, recuperar e circular com segurança.

Métrica Peso
% de acerto de passe 20%
Ações defensivas 18%
Recuperações 16%
Quebras de linha 15%
Duelos no chão ganhos 11%
Vezes driblado (invertido) 10%
Bolas longas certas 10%

Segundo volante (box-to-box) — equilíbrio entre defender, progredir e criar.

Métrica Peso
Chances criadas 18%
Quebras de linha 16%
Passes ao último terço 12%
% de acerto de passe 12%
Toques na área adversária 12%
Recuperações 11%
Ações defensivas 10%
Duelos no chão ganhos 9%

Meia-armador — criar, ameaçar o gol e progredir, descontando o desperdício.

Métrica Peso
Chances criadas 22%
Assistência esperada (xA) 16%
Gol esperado sem pênalti (xG) 16%
Passes ao último terço 12%
Toques na área adversária 12%
Quebras de linha 10%
Perdas de posse conduzindo (invertido) 6%
Taxa de drible mal-sucedido (invertido) 6%

Ponta — ameaçar o gol, criar e driblar.

Métrica Peso
Gols 15%
Gol esperado sem pênalti (xG) 13%
Chances criadas 13%
Assistências 11%
Quebras de linha 8%
Assistência esperada (xA) 7%
Toques na área adversária 7%
Taxa de drible mal-sucedido (invertido) 7%
Perdas de posse conduzindo (invertido) 6%
Finalizações 5%
Cruzamentos certos 4%
Passes ao último terço 4%

Centroavante — gol acima de tudo, com pivô e ligação, descontando o desperdício.

Métrica Peso
Gols 20%
Gol esperado sem pênalti (xG) 16%
Toques na área adversária 12%
Duelos aéreos ganhos 9%
Chances criadas 9%
Assistências 8%
Perdas de posse conduzindo (invertido) 8%
Finalizações no alvo 8%
Assistência esperada (xA) 5%
Duelos no chão ganhos 5%

Uma palavra sobre as fontes

Vale uma honestidade final: os números dependem de quem os coleta. Cada provedor de dados tem seus próprios critérios para decidir o que é um drible, um desarme ou uma ação defensiva — e por isso as ferramentas divergem entre si, e às vezes também do que o torcedor jurou ter visto. O que fazemos é fixar uma régua de dados (aqui, FIFA mais FotMob) e aplicar a mesma a todos os jogadores, para que a comparação seja justa dentro do ranking. Trocar a fonte mudaria alguns números; é mais um motivo para ler a nota como um retrato fundamentado, não como sentença.

Fonte dos dados: relatórios de pós-jogo da FIFA (Post Match Summary Report) e FotMob. Avaliação própria do blog — comparação por posição, números brutos da partida, corte mínimo de 45 minutos.