Quem mandou nos 16 avos da Copa, posição por posição
Começou o mata-mata, e com ele volta o retrato de sempre: a seleção da rodada montada num 4-3-3, com titulares e reservas, e o pódio de cada posição. Como na fase de grupos, a ideia por trás de tudo é simples — cada posição é avaliada pela sua própria régua. O que se cobra de um goleiro não é o que se cobra de um ponta, então cada função tem um conjunto de fundamentos com pesos próprios, e a nota sai do balanço desses fundamentos. As fórmulas completas, métrica por métrica, ficam no fim do post, para quem quiser auditar a conta.
Os 16 avos deram três fotos que valem a abertura. A primeira: de novo — como nas três rodadas de grupos — a maior nota da rodada saiu de um goleiro. Desta vez Lawrence Ati-Zigi, de Gana, e com um detalhe que muda a história: ele tirou a maior nota num jogo que perdeu. A segunda: Michael Olise entregou a maior nota de linha da rodada, um recital de armador completo na goleada da França sobre a Suécia. A terceira é brasileira — e fica para a seção do Brasil.
Vale um aviso de leitura próprio do mata-mata. Cinco jogos foram à prorrogação (Alemanha e Paraguai, Holanda e Marrocos, Bélgica e Senegal, Argentina e Cabo Verde, Austrália e Egito), e nossa conta usa os números brutos de quem esteve em campo — ou seja, quem jogou 120 minutos teve mais tempo para acumular volume. Isso ajuda a explicar por que alguns nomes desses jogos aparecem bem colocados. É um viés conhecido da ótica que escolhemos, e o apontamos onde ele pesa.
Como a nota foi calculada (o essencial)
Três decisões sustentam as tabelas. Em três parágrafos.
1. A régua muda por posição. Cada posição é avaliada por um conjunto de métricas com pesos próprios, definidos pelo que aquela função precisa fazer. A de um zagueiro pesa duelo aéreo, corte e saída de bola; a de um ponta pesa finalização, drible e criação. São oito réguas para as onze vagas — os dois zagueiros dividem a mesma, assim como os laterais entre si e os pontas entre si. A lista completa, peso por peso, está na última seção.
2. A nota é relativa à posição, não um valor absoluto. Para cada métrica, olhamos como o jogador se saiu em relação aos outros da mesma posição naquela rodada. Na maioria delas, o que conta é onde ele ficou na fila; em gols e assistências, conta o tamanho do número — são as ações mais diretamente ligadas ao placar, então ali a magnitude importa, e não só a ordem. A nota vai de 0 a 100 e é sempre uma comparação dentro da posição.
3. Usamos os números brutos, de quem jogou ao menos 45 minutos. Contamos o que cada um fez de fato na partida, não o que faria "se jogasse 90". A conta favorece um pouco quem ficou mais tempo em campo — e, nestes 16 avos, isso vale dobrado para os cinco jogos que foram aos 120 minutos. Em troca, todo número aqui é real, aconteceu. Guarde isso: ele explica por que alguns nomes que entraram só no fim aparecem mais embaixo, e o feito de quem liderou a posição jogando menos.
Uma nota sobre o xG, que aparece adiante. O xG de uma finalização é a qualidade daquela chance — a probabilidade de virar gol, estimada por distância, ângulo e tipo de lance. Já somar o xG de um jogador mede o volume de chance que ele acumulou — quanta chance teve no total —, e não "os gols que deveriam ter saído" nem a qualidade média dos lances. Onde entra xG, usamos a versão sem pênalti; gols marcados contam todos, inclusive de pênalti.
A seleção dos 16 avos — Time titular
O time ideal da rodada num 4-3-3. Entre parênteses, a seleção (país) e a nota na posição.
| Posição | Jogador | Seleção | Nota |
|---|---|---|---|
| Goleiro | Lawrence Ati-Zigi | Gana | 93,2 |
| Lateral-direito | Pedro Porro | Espanha | 77,1 |
| Zagueiro | Kristoffer Ajer | Noruega | 78,2 |
| Zagueiro | Aymeric Laporte | Espanha | 75,8 |
| Lateral-esquerdo | Nuno Mendes | Portugal | 77,9 |
| Primeiro volante | Rodri | Espanha | 79,0 |
| Segundo volante | Neil El Aynaoui | Marrocos | 80,4 |
| Meia-armador | Michael Olise | França | 87,5 |
| Ponta-direita | Lionel Messi | Argentina | 76,5 |
| Centroavante | Kylian Mbappé | França | 79,7 |
| Ponta-esquerda | Julián Quiñones | México | 66,0 |
Três leituras saltam daqui.
A primeira, de novo: o jogador com a maior nota da rodada inteira é um goleiro, Ati-Zigi. Só que agora com uma reviravolta — ele foi o melhor da rodada na derrota de Gana por 1 a 0 para a Colômbia. Fez 7 defesas e, pela nossa conta de "gols evitados", impediu cerca de 1,7 gol além do que um goleiro médio sofreria com as finalizações que enfrentou. É a métrica de maior peso da régua de goleiro (60%), e foi ela que o levou ao topo: segurou Gana viva quase até o fim, mesmo com o time saindo eliminado. Um lembrete de que a régua mede a atuação, não o resultado do time.
A segunda é Olise. Como meia-armador, ele tirou 87,5 — a maior nota de linha da rodada, à frente de volantes e atacantes. Não veio de um número só: ele deu 2 assistências, acumulou 0,77 de xA (o volume de chance que os passes dele geraram para os companheiros finalizarem), quebrou 21 linhas de marcação com passes e ainda ameaçou o gol. Aqui vale abrir o número, para não ler o acumulado errado: Olise somou 0,86 de xG sem pênalti, mas esse total veio quase todo de uma chance clara — um chute de 0,55 defendido no contra-ataque —, com as outras cinco finalizações de baixa probabilidade. Ou seja, teve a sua chance de marcar, além de armar para os companheiros. É o perfil de armador que a régua procura, e ele entregou o pacote completo na goleada da França por 3 a 0 sobre a Suécia.
A terceira é El Aynaoui, do Marrocos, o melhor segundo volante da rodada com 80,4. Box-to-box é defender e construir no mesmo jogo, e foi o que ele fez na classificação marroquina sobre a Holanda, decidida na prorrogação: 135 passes certos (97% de acerto), 18 deles ao último terço, 14 quebras de linha, além de 8 ações defensivas e 6 recuperações. Vale a ressalva da abertura — ele jogou os 120 minutos, e a ótica bruta premia esse tempo a mais em campo. Ainda assim, o equilíbrio entre volume e precisão foi real, e sustenta a nota.
A seleção dos 16 avos — Time reserva
Como o ranking ordena todo mundo dentro da posição, dá para montar também o time reserva da rodada: o segundo melhor de cada função, pulando quem já é titular.
| Posição | Jogador | Seleção | Nota |
|---|---|---|---|
| Goleiro | Orlando Gill | Paraguai | 87,7 |
| Lateral-direito | Achraf Hakimi | Marrocos | 76,5 |
| Zagueiro | Harry Souttar | Austrália | 73,5 |
| Zagueiro | Lisandro Martínez | Argentina | 70,1 |
| Lateral-esquerdo | Sidny Lopes Cabral | Cabo Verde | 72,5 |
| Primeiro volante | Aurélien Tchouaméni | França | 74,5 |
| Segundo volante | Adrien Rabiot | França | 76,3 |
| Meia-armador | Mohamed Salah | Egito | 77,6 |
| Ponta-direita | Leandro Trossard | Bélgica | 68,5 |
| Centroavante | Mikel Oyarzabal | Espanha | 75,5 |
| Ponta-esquerda | Florian Wirtz | Alemanha | 64,1 |
O banco guarda a outra metade do pódio de goleiros: Orlando Gill, com 87,7 — herói do Paraguai, que tirou a Alemanha nos 120 minutos. E traz um retrato do mata-mata: nomes de seleções que se classificaram no sufoco. Hakimi e El Aynaoui (este no titular) puxam o Marrocos; Salah, melhor armador reserva, foi peça da virada do Egito sobre a Austrália na prorrogação. A França coloca dois no banco — Tchouaméni e Rabiot —, sinal de uma vitória sólida sobre a Suécia de ponta a ponta.
O pódio de cada posição
Os três melhores de cada posição na rodada. O número de avaliados varia muito — são 72 pontas, mas só 25 meias-armadores —, o que muda o quanto cada nota "custou" para ser conquistada.
Goleiro (32 avaliados)
- Lawrence Ati-Zigi — Gana — 93,2
- Orlando Gill — Paraguai — 87,7
- Bart Verbruggen — Holanda — 86,6
O pódio inteiro conta a mesma história do mata-mata: três goleiros que seguraram os seus times sob pressão. Ati-Zigi lidera pelas 7 defesas na derrota de Gana; Gill e Verbruggen foram parede por 120 minutos — o primeiro classificou o Paraguai, o segundo caiu com a Holanda, ainda assim entre os melhores da posição.
Zagueiro (68 avaliados)
- Kristoffer Ajer — Noruega — 78,2
- Aymeric Laporte — Espanha — 75,8
- Harry Souttar — Austrália — 73,5
Ajer lidera pelo volume defensivo bruto: 16 ações defensivas e 13 cortes na vitória da Noruega sobre a Costa do Marfim. Laporte vem logo atrás juntando defesa e saída de bola — 27 quebras de linha com passe, o pacote que a régua de zagueiro mais valoriza.
Lateral-direito (29 avaliados)
- Pedro Porro — Espanha — 77,1
- Achraf Hakimi — Marrocos — 76,5
- Timothy Castagne — Bélgica — 66,9
Seis décimos separam Porro de Hakimi — quase um empate pela direita. Porro leva a melhor pela produção ofensiva na goleada espanhola: 5 chances criadas, 3 cruzamentos certos e um gol, com 11 quebras de linha. Hakimi respondeu com 120 minutos de motor pela direita marroquina.
Lateral-esquerdo (31 avaliados)
- Nuno Mendes — Portugal — 77,9
- Sidny Lopes Cabral — Cabo Verde — 72,5
- Marc Cucurella — Espanha — 68,9
Nuno Mendes foi o lateral mais completo da rodada: 4 chances criadas, 0,50 de xA e 7 duelos no chão vencidos na vitória de Portugal sobre a Croácia. Cucurella, o terceiro, saiu com 2 assistências — mostra de como a régua pesa mais que um número isolado.
Primeiro volante (29 avaliados)
- Rodri — Espanha — 79,0
- Aurélien Tchouaméni — França — 74,5
- Kevin Pina — Cabo Verde — 74,0
Rodri foi o retrato do primeiro volante que a régua procura: 9 ações defensivas, 6 recuperações e 6 duelos no chão vencidos, com 92% de acerto de passe e 15 quebras de linha. Protegeu, recuperou e circulou com segurança — a base do meio espanhol no 3 a 0 sobre a Áustria.
Segundo volante / box-to-box (55 avaliados)
- Neil El Aynaoui — Marrocos — 80,4
- Adrien Rabiot — França — 76,3
- Alexis Mac Allister — Argentina — 74,6
A maior nota do meio está aqui, com El Aynaoui — já contada no time titular. O pódio mistura volume dos 120 minutos (El Aynaoui e Mac Allister) com eficiência em 90 (Rabiot, com 17 quebras de linha e 3 chances criadas contra a Suécia).
Meia-armador (25 avaliados)
- Michael Olise — França — 87,5
- Mohamed Salah — Egito — 77,6
- Jude Bellingham — Inglaterra — 77,0
Olise abre quase dez pontos para o segundo colocado — a folga mais larga de qualquer posição na rodada. Foi o recital já descrito: criar para os outros e ainda ameaçar o gol. Logo atrás, Salah criou para os companheiros (5 chances criadas, 8 toques na área) e Bellingham puxou o próprio chute (0,66 de xG sem pênalti acumulado em 3 finalizações) — dois perfis diferentes de meia decisivo em jogos apertados.
Ponta (72 avaliados)
- Lionel Messi — Argentina — 76,5
- Leandro Trossard — Bélgica — 68,5
- Ousmane Dembélé — França — 66,7
Messi lidera a posição mais concorrida da rodada. Contra Cabo Verde, em 120 minutos, foram 9 finalizações (6 no alvo) somando 1,33 de xG sem pênalti — um dos maiores volumes de chance entre os pontas. Abrindo o número: duas das nove foram chances claras — o gol (0,25) e um chute de 0,49 defendido —, e as outras sete de menor probabilidade. Some 9 toques na área. Faltou a assistência (item que pesa 11% e ficou zerado) e sobrou perda de bola na condução para a nota disparar ainda mais; mesmo assim, poucos levaram tanto perigo ao gol entre os pontas.
Centroavante (26 avaliados)
- Kylian Mbappé — França — 79,7
- Mikel Oyarzabal — Espanha — 75,5
- Ismaïla Sarr — Senegal — 73,6
Mbappé foi o melhor centroavante fazendo o que se cobra da posição: 2 gols em 4 finalizações no alvo, com presença de área e ligação. Oyarzabal também marcou duas vezes, com um detalhe que a régua enxerga: das suas 6 finalizações (que somaram 1,09 de xG sem pênalti), converteu as duas melhores — uma chance clara, de 0,59, e outra quase, de 0,18 —, mas criou pouco para os companheiros, e é aí que ficou a diferença para Mbappé.
O Brasil nos 16 avos
Recortamos do ranking os brasileiros que jogaram pelo menos 45 minutos na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, com a posição de cada um e onde ficaram dentro da própria função.
| Jogador | Posição | Nota | Posição no ranking |
|---|---|---|---|
| Bruno Guimarães | Segundo volante | 67,0 | 12º de 55 |
| Lucas Paquetá | Meia-armador | 65,8 | 6º de 25 |
| Casemiro | Primeiro volante | 65,1 | 6º de 29 |
| Danilo | Lateral-direito | 62,9 | 5º de 29 |
| Gabriel | Zagueiro | 61,3 | 14º de 68 |
| Douglas Santos | Lateral-esquerdo | 59,3 | 10º de 31 |
| Vinícius Júnior | Centroavante | 52,8 | 9º de 26 |
| Marquinhos | Zagueiro | 51,8 | 36º de 68 |
| Rayan | Ponta | 47,7 | 19º de 72 |
| Matheus Cunha | Centroavante | 39,1 | 15º de 26 |
| Alisson Becker | Goleiro | 29,7 | 26º de 32 |
A terceira foto da abertura está aqui, e é honesta: o Brasil passou, mas nenhum brasileiro dominou a própria posição. O melhor foi Bruno Guimarães (12º entre 55 segundos volantes), seguido de um pelotão de quintos e sextos lugares — Paquetá (6º entre os armadores, em só 45 minutos), Casemiro (6º entre os primeiros volantes, com um gol) e Danilo (5º entre os laterais-direitos). Nada de topo de posição; um jogo sólido e coletivo, sem indivíduo brilhando pela régua.
Vale abrir a conta de dois nomes que dividiram a torcida e a crítica — Casemiro e Paquetá —, justamente para mostrar de onde vem a nota, e onde a régua e o olho podem contar histórias diferentes.
Casemiro (6º entre 29 primeiros volantes, 65,1) pontuou no que a régua da posição mais cobra: proteger, recuperar e circular com segurança. Foram 8 ações defensivas (entre os 20% melhores volantes da rodada), 5 recuperações, 9 quebras de linha com passe e uma distribuição longa quase impecável — 7 lançamentos certos em 10, perto do topo da posição —, tudo com 89% de acerto de passe. O que segurou a nota abaixo do pódio foram dois itens: os duelos no chão (venceu 2 de 4, na média da posição) e ter sido driblado uma vez (fundamento que entra invertido, quanto menos melhor). E um detalhe fecha o raciocínio: Casemiro marcou um dos gols da vitória, mas a régua de volante não pontua gol — ela mede o que a função pede, não o lance de destaque —, então o gol não entrou nesta conta. Sexto lugar não é blindagem contra a crítica; é o retrato de quem cumpriu os fundamentos da posição num jogo controlado, com os cinco volantes à frente — puxados por Rodri e Tchouaméni — num patamar um pouco acima.
Paquetá (6º entre 25 meias-armadores, 65,8) fez a nota em apenas 45 minutos — saiu no intervalo. Aqui vale um cuidado a mais: na ótica bruta, menos tempo em campo costuma significar menos volume acumulado, o que torna o 6º lugar ainda mais chamativo. O que sustentou foi a progressão. Em um único tempo, ele deu 12 passes ao último terço (perto do topo dos armadores da rodada) e 11 quebras de linha, criou 2 chances e teve 5 toques na área adversária — o pacote de fundamentos que a régua de armador mais valoriza. O ponto fraco foi o xA (o volume de chance que os passes dele geraram para os companheiros finalizarem): 0,05, abaixo da média da posição — sinal de que as chances que criou eram de menor perigo. Meio tempo denso o bastante para ranquear bem, com a ressalva de sempre: 45 minutos são uma amostra curta, e Olise, no topo da posição, jogou noutro nível.
E há a outra ponta, que o exercício serve para mostrar sem dó. Vinícius Júnior, o melhor centroavante da 3ª rodada, apareceu aqui em 9º entre 26 — teve 0,36 de xG sem pênalti e não balançou a rede contra o Japão. Alisson, com pouco trabalho num jogo em que o Brasil controlou, ficou em 26º entre 32 goleiros: a régua de goleiro premia defesa difícil, e quem quase não é exigido tende a ficar embaixo, mesmo sem falhar. Não viraram outros jogadores de uma semana para a outra; tiveram um jogo mais discreto na régua da posição, e a régua, sendo sempre dentro da rodada, registra isso.
Dois cuidados antes de qualquer veredito. Primeiro, a régua é dentro da posição e dentro da rodada, e não pondera o contexto do jogo: administrar uma vantagem controlando a partida rende menos "número" do que decidir um mata-mata no sufoco — e isso não é demérito. Segundo, o de sempre: uma partida é uma amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O Brasil fez o que precisava — venceu e avançou. A régua só lembra que, neste jogo, o brilho individual ficou para depois.
O que dá para tirar daqui
Uma rodada é uma rodada — amostra pequena, e não transformamos um jogo em sentença. O valor do exercício não é cravar quem é o melhor do mundo, e sim mostrar que a régua importa. Quando se avalia cada posição pelo conjunto do que ela precisa entregar, a fotografia muda: um goleiro lidera a rodada pela quarta vez seguida — e desta vez na derrota —, um segundo volante do Marrocos desbanca meios mais badalados, e um lateral da Espanha supera Hakimi por seis décimos.
Fica também o retrato do primeiro mata-mata: os cinco jogos de prorrogação empurraram para cima quem aguentou 120 minutos, e as seleções que foram ao tempo extra — Marrocos, Paraguai, Egito, Argentina, Bélgica — colocaram gente na lista justamente por isso. As oitavas recomeçam a contagem, com um detalhe importante: dali para a frente, cada tropeço elimina. E a régua segue a mesma.
Apêndice — as fórmulas, posição por posição
Para quem quer auditar a conta. Cada posição tem um conjunto de métricas, cada uma com um peso (em %). Cada métrica vira uma escala de 0 a 100 comparando o jogador com os outros da mesma posição na rodada, e a nota final é a média dessas escalas ponderada pelos pesos abaixo. Lembrando: trabalhamos com os totais brutos da partida (quem jogou ≥ 45 min), não projetados para 90 minutos.
Como cada métrica vira nota: posição na fila × tamanho do número
Há duas formas de transformar uma métrica em escala de 0 a 100, e usamos a que faz mais sentido para cada uma.
- Por percentil (a posição na fila). Vale para quase tudo — passes certos, duelos, recuperações, chances criadas. Aqui importa a ordem: a escala mede quantos jogadores da posição o atleta superou naquela métrica, não o tamanho da diferença. É o ideal para fundamentos em que "fazer mais" tem retorno decrescente.
- Pela magnitude (o tamanho do número). Vale para gols e assistências, onde o tamanho importa de verdade: fazer 2 gols deve valer cerca de duas vezes fazer 1, não só "ficar à frente". São os movimentos mais diretamente ligados ao gol, então usamos uma escala proporcional ao valor.
O que cada métrica mede
- Gols evitados — quantos gols o goleiro impediu além do que se esperaria das finalizações que enfrentou. Mede defesa difícil, não volume.
- % de defesas — defesas divididas pelos chutes que foram ao alvo.
- Defesas — total de defesas na partida.
- Duelos aéreos ganhos — disputas de bola pelo alto vencidas.
- Ações defensivas — soma de desarmes, interceptações e cortes.
- Vezes driblado — quantas vezes o jogador foi passado num drible (quanto menos, melhor — entra invertido).
- Quebras de linha — passes que ultrapassam uma linha de marcadores, fazendo a bola progredir por dentro da defesa adversária.
- % de acerto de passe — passes certos sobre passes tentados.
- Bolas longas certas — lançamentos longos que chegaram ao destino.
- Duelos no chão ganhos — disputas rente ao gramado vencidas.
- Cruzamentos certos — cruzamentos que encontraram um companheiro.
- Chances criadas — passes que terminaram em finalização de um companheiro.
- Recuperações — bolas recuperadas para a equipe.
- Passes ao último terço — passes que entregam a bola no terço de ataque do campo.
- Toques na área adversária — vezes que tocou na bola dentro da área de ataque.
- Gols — gols marcados (todos, inclusive pênalti).
- Gol esperado sem pênalti (xG) — somando as finalizações do jogador (sem pênaltis), mede o volume de chance que ele acumulou — quanta chance teve no total —, não a qualidade média dos lances nem "os gols que faltaram".
- Finalizações / no alvo — chutes dados / que foram na direção do gol.
- Assistências — passes que viraram gol.
- Assistência esperada (xA) — somando o xG de cada finalização que o jogador armou, mede o volume de chance que os passes dele criaram para os companheiros finalizarem.
- Perdas de posse conduzindo — vezes que perdeu a bola no drible ou na condução (invertido — quanto menos, melhor).
- Taxa de drible mal-sucedido — proporção de dribles que não deram certo (invertido).
Pesos por posição
Goleiro — foco em evitar gol.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols evitados | 60% |
| % de defesas | 25% |
| Defesas | 15% |
Zagueiro — defender bem e sair jogando.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Duelos aéreos ganhos | 24% |
| Ações defensivas | 22% |
| Quebras de linha | 18% |
| Vezes driblado (invertido) | 14% |
| % de acerto de passe | 14% |
| Bolas longas certas | 8% |
Lateral (direito e esquerdo — mesma régua) — defender, progredir e municiar o ataque.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Cruzamentos certos | 22% |
| Chances criadas | 20% |
| Quebras de linha | 15% |
| Ações defensivas | 13% |
| % de acerto de passe | 11% |
| Vezes driblado (invertido) | 10% |
| Duelos no chão ganhos | 9% |
Primeiro volante — proteger, recuperar e circular com segurança.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| % de acerto de passe | 20% |
| Ações defensivas | 18% |
| Recuperações | 16% |
| Quebras de linha | 15% |
| Duelos no chão ganhos | 11% |
| Vezes driblado (invertido) | 10% |
| Bolas longas certas | 10% |
Segundo volante (box-to-box) — equilíbrio entre defender, progredir e criar.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Chances criadas | 18% |
| Quebras de linha | 16% |
| Passes ao último terço | 12% |
| % de acerto de passe | 12% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Recuperações | 11% |
| Ações defensivas | 10% |
| Duelos no chão ganhos | 9% |
Meia-armador — criar, ameaçar o gol e progredir, descontando o desperdício.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Chances criadas | 22% |
| Assistência esperada (xA) | 16% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 16% |
| Passes ao último terço | 12% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Quebras de linha | 10% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 6% |
| Taxa de drible mal-sucedido (invertido) | 6% |
Ponta — ameaçar o gol, criar e driblar.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols | 15% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 13% |
| Chances criadas | 13% |
| Assistências | 11% |
| Quebras de linha | 8% |
| Assistência esperada (xA) | 7% |
| Toques na área adversária | 7% |
| Taxa de drible mal-sucedido (invertido) | 7% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 6% |
| Finalizações | 5% |
| Cruzamentos certos | 4% |
| Passes ao último terço | 4% |
Centroavante — gol acima de tudo, com pivô e ligação, descontando o desperdício.
| Métrica | Peso |
|---|---|
| Gols | 20% |
| Gol esperado sem pênalti (xG) | 16% |
| Toques na área adversária | 12% |
| Duelos aéreos ganhos | 9% |
| Chances criadas | 9% |
| Assistências | 8% |
| Perdas de posse conduzindo (invertido) | 8% |
| Finalizações no alvo | 8% |
| Assistência esperada (xA) | 5% |
| Duelos no chão ganhos | 5% |
Uma palavra sobre as fontes
Vale uma honestidade final: os números dependem de quem os coleta. Cada provedor de dados tem seus próprios critérios para decidir o que é um drible, um desarme ou uma ação defensiva — e por isso as ferramentas divergem entre si, e às vezes também do que o torcedor jurou ter visto. O que fazemos é fixar uma régua de dados (aqui, FIFA mais FotMob) e aplicar a mesma a todos os jogadores, para que a comparação seja justa dentro do ranking. Trocar a fonte mudaria alguns números; é mais um motivo para ler a nota como um retrato fundamentado, não como sentença.
Fonte dos dados: relatórios de pós-jogo da FIFA (Post Match Summary Report) e FotMob. Avaliação própria do blog — comparação por posição, números brutos da partida, corte mínimo de 45 minutos.